Ninguém É Cidadão

NOBODY IS A CITIZEN

79 min

Empire

de Edouard Salier. França, 2005, 4'

Grève sauvage (la genèse)

de Chaab Mahmoud. França, 2009, 12’21

The Devil

de Jean-Gabriel Périot. França, 2012, 7'

de Cecilia Bengolea. Argentina, 2018, 6’

Où en êtes-vous, Teresa Villaverde?

de Teresa Villaverde. França-Portugal, 2019, 17’

de Carlos Adriano. Brasil, 2020, 13’30

Avant l'effondrement du Mont Blanc

de Jacques Perconte. França, 2020, 16’

CURADORIA | CURATORSHIP

Nicole Brenez

“O açúcar da palavra Brasil no fundo do pântano.”
Aimé Césaire, Les Armes miraculeuses, 1946.

Ninguém é cidadão, canta Caetano Veloso em “Haiti” (1993), citado por Carlos Adriano em seu polêmico e documentado poema O que há em ti. Sim, o que temos nós em nós, quando nos encontramos, contra a nossa vontade, mergulhados no desastre? Quais recursos existem, no fundo de nossa indigência? Cada um à sua maneira, os filmes desse programa respondem explorando uma dimensão da energia: a raiva (Joseph Kahn), a ironia (Jean-Gabriel Périot), a razão (Chaab Mahmoud), a beleza natural (Jacques Perconte) e mesmo a alegria, individual (Cecilia Bengolea) ou coletiva (Teresa Villaverde), tais são as “armas miraculosas” dos desprovidos, em um tempo no qual as catástrofes se multiplicam. Quer elas sejam políticas, climáticas, sanitárias, quer elas revelem a exploração ou a opressão tragicamente ordinárias, o genocídio ou o ecocídio, quer elas se reproduzam na América do Sul ou do Norte, nos Alpes ou em todos os lugares simultaneamente… Todas elas parecem confrontar a violência a partir de um princípio comum que os Latinos nomearam como invidia, a ganância, o desejo insaciável de posse à custa dos outros, que não tem nada a ver com necessidades reais, culminando no capitalismo consumista apoiado no “complexo militar-industrial”, tão eficazmente destrinchado em alguns pontos por Edouard Salier. Diante da invidia letal capaz de tudo destruir, até que não reste nada além dela mesma, os humanos aqui contrapõem outras potências: o altruísmo, a empatia, o senso coletivo, a defesa dos mais fracos, a comunhão com os elementos naturais ou outros seres, a coragem e – recurso particularmente em baixa em nossos dias – o raciocínio crítico. Esses valores são trabalhados nos filmes aqui propostos, graças aos quais podemos também constatar que, até na mais sombria adversidade, com meios muito simples, os artistas sabem manifestar uma audácia e uma virtuosidade formal admiráveis, levando ao extremo a energia plástica própria ao ser vivo: a criatividade. Todos cidadãos de um campo sem fronteiras espaciais nem temporais, onde para se entrar não é necessário nenhum passaporte, nem dinheiro, nem poder: aquele da batalha sem fim contra as injustiças.

Agradeço ao DOBRA por sua confiança e sua coragem exemplares.

“Le sucre du mot Brésil au fond du marécage.”
Aimé Césaire, Les Armes miraculeuses, 1946.

Ninguém é cidadão, chante Caetano Veloso dans « Haiti » (1993), que cite Carlos Adriano dans son poème documenté et polémique O que há em ti. Oui, qu’avons-nous en nous, lorsque nous nous trouvons, bien malgré nous, plongés dans le désastre ? Quelles ressources, au fond de notre détresse ? Chacun à leur manière, les films de ce programme répondent en explorant une dimension de l’énergie : la rage (Joseph Kahn), l’ironie (Jean-Gabriel Périot), la raison (Chaab Mahmoud), la beauté naturelle (Jacques Perconte) et même la joie, singulière (Cecilia Bengolea) ou collective (Teresa Villaverde), telles sont les « armes miraculeuses » des démunis, en un temps où les catastrophes se multiplient. Que celles-ci soient politiques, climatiques, sanitaires, qu’elles relèvent de l’exploitation ou de l’oppression tragiquement ordinaires, du génocide ou de l’écocide, qu’elles se produisent en Amérique du Sud ou du Nord, dans les Alpes ou partout simultanément… elles semblent bien toutes affronter la violence d’un principe commun que les Latins avaient nommé l’invidia, l’avidité, le désir insatiable de possession aux dépens d’autrui, qui n’a rien à voir avec des besoins réels, qui culmine avec le capitalisme consumériste appuyé sur ce « complexe militaro-industriel » si efficacement brossé en quelques traits par Edouard Salier. Face à l’invidia létale capable de tout détruire jusqu’à ce qu’il ne reste rien qu’elle-même, les humains ici opposent d’autres puissances : l’altruisme, l’empathie, le sens du collectif, la défenses des plus faibles, la communion avec les éléments naturels ou avec d’autres êtres, le courage et — ressource particulièrement mise à mal de nos jours – le raisonnement critique. Ces valeurs sont mises en œuvre dans les films ici proposés, grâce auxquels on peut constater aussi que, jusque dans la plus sombre adversité, avec des moyens très simples, les artistes savent faire preuve d’une audace et d’une virtuosité formelle admirables, portant à son comble l’énergie plastique propre au vivant : la créativité. Tous citoyens d’un champ sans frontières spatiales ni temporelles, où l’on n’a besoin pour entrer d’aucun passeport, ni argent, ni pouvoir : celui de la bataille sans fin contre les injustices.

Merci à DOBRA pour sa confiance et son courage exemplaires.

“The sugar of the word Brazil at the bottom of the swamp.”
Aimé Césaire, Les Armes miraculeuses, 1946.

Nobody is a citizen, sings Caetano Veloso in «Haiti» (1993), quoted by Carlos Adriano in his documented and polemical poem O que há em ti. Yes, what do we have in us, when we find each other, against our will, submerged in this disaster? With what resources, at the bottom of our distress? The films in this program, each in their own way, answer to these questions, exploring a dimension of the energy: the anger (Joseph Kahn), the irony (Jean-Gabriel Périot), the reasoning (Chaab Mahmoud), the natural beauty (Jacques Perconte) and even the joy, individual (Cecilia Bengolea) or collective (Teresa Vilaverde). These are the «miraculous weapons» of the disadvantaged, in a time where the catastrophes multiply. Be it political, climatic, sanitary, be it revealing of the tragically ordinary exploration or the oppression, the genocide or the ecocide, be it that they are reproduced in South or North America, the Alps, or everywhere simultaneously… All of them seem to confront the violence of a common principle that Latins have named invidia, the greed, the insatiable desire for possession at the expense of others, that has nothing to do with real necessities, which culminates in the consumerist capitalism supported by the «military-industrial complex» so effectively and thoroughly analyzed in some aspects by Edouard Salier. Before the lethal invidia capable of destroying everything until nothing else is left but itself, the humans here oppose other potencies: the altruism, the empathy, the collective sense, the defense of the weak, the communion with the natural elements or with other beings, the courage and – a particularly downward resource these days – the critical thinking. These values are at work in the films here proposed, thanks to which we can also determine that, even in the darkest adversity, with very simple means, the artists can manifest an audacity and an admirable formal virtuosity, taking to the extreme the plastic energy that specifies the living beings: the creativity. They are, we are citizen of a field without spacial or temporal borders, where no passport, nor money, nor power are required to enter: the one of the endless battle against injustice.

Thank you DOBRA for your trust and exemplary courage.

Nicole Brenez

Políticas para enfrentar outra América Latina

POLICIES TO FACE
ANOTHER LATIN AMERICA

59 min

de Annalisa D. Quagliata. México, 2018, 1’23’’

La Fuente de Agua

de Irma Cabrera Abanto. Perú, 2019, 3’05’’

La Determinación del Devenir

de Melissa Aller. Argentina, 2016, 4’

Atajos

de Daniela Delgado Vitteri. Equador, 2019, 18’29’’

A Hora Decisiva

de Azucena Lozana. México-Argentina, 2020, 1’52’’

Ver la Ciudad en Llamas

de Ismael Amaro. Chile, 2018, 11’

Señales de Conquista: El Lienzo de Tlaxcala

de Jorge Bordello. México, 2019, 14’20’’

Plata o Plomo

de Natalia Granados. Colômbia, 2019, 4’26’’

CURADORIA | CURATORSHIP

MÓNICA DELGADO &
JOSÉ SARMIENTO HINOJOSA

O que é que resiste em um ato de resistência? O olho, o olhar, o verbo, o enquadramento, a materialidade do celulóide, a urgência do digital? A partir de uma série de filmes, de onde afloram camadas de diferentes calibres sobre a identidade confrontada, sobre os processos de descolonização, sobre os sentidos comuns que parecem de ferro e devem ser combatidos; do luto, da memória livre da amnésia, da demanda, dos gritos e, em alguns casos, da paródia e da ironia, essas obras estão criando uma cartografia diferente da política, em tempos em que se derrubam estátuas e surgem teorias da conspiração. A que ou a quem é essa resistência? Consideramos um elemento fundamental nesta seleção destacar as vozes de cineastas e artistas de diferentes partes da região que, a partir de suas sensibilidades, abordam diversas essências do “latino-americano”, categoria em constante movimento, tensão, entre o novo e o antigo, entre o puro e o contaminado. O que é isso que nos torna tão iguais, que nos faz repetir uma e outra vez a mesma história? De certa forma, esses filmes propõem uma saída, uma muralha defensiva, uma luz para o confronto. O ver como um ato de resistência. A relação estética como manifestação de uma imediatez interna que nos permite descobrir novas verdades, que nos permite situar-nos neste cosmos. Muitos olhares em paralaxe sobre esse grande conceito de América Latina, um território vivo e pulsante que, a partir da imagem em movimento, busca realizar uma espécie de ritual de cura, pulsão xamânica que invoca o ritmo intermitente da fantasmagoria para curar suas feridas. Como desistfilm, revista on-line que promove o cinema experimental e independente na região de Lima, Peru, esta mostra apresenta nossa vontade de contribuir para uma nova cartografia do político, como forma, como entrelinhas, como inteira criatividade ou, como disse Rancière, não na denúncia, mas na montagem, “pela distância mesma que mantém em relação a essas funções, pelo tipo de tempo e espaço que estabelece, pela maneira como divide esse tempo e povoa esse espaço”, onde vivemos repensando como nos vemos e nos representamos. Em tempos de pandemia e ecos de solidariedade, esse olhar em conjunto permite, de alguma forma, nos curar.

¿Qué es lo que resiste en un acto de resistencia? ¿El ojo, la mirada, el verbo, el encuadre, la materialidad del celuloide, la urgencia del digital? A partir de una serie de películas, donde afloran capas de diverso calibre sobre la identidad confrontada, sobre procesos de decolonización, sobre sentidos comunes que parecen férreos y que hay que combatir; desde el luto, la memoria libre de amnesia, la demanda, el grito y en algunos casos desde la parodia e ironía, estos trabajos van urdiendo una cartografía distinta de lo político, en tiempos en que se derrumban estatuas y surgen teorías de conspiración. ¿Ante qué o quienes es esta resistencia? Consideramos un elemento fundamental en esta selección resaltar las voces de cineastas y artistas de diversas partes de la región, quienes desde sus sensibilidades abordan diversas esencias de lo “latinoamericano”, categoría en constante movimiento, tensión, entre lo nuevo y viejo, entre lo puro y lo contaminado. ¿Qué es eso que nos hace tan iguales, que nos hace repetir una y otra vez la misma historia? De alguna manera, estos películas proponen una salida, una muralla de defensa, una luz para la confrontación. El ver como un acto de resistencia. La relación estética como una manifestación de una inmediatez interna que nos permite descubrir nuevas verdades, que nos permite situarnos en este cosmos. Muchas miradas en paralaje sobre este gran concepto de Latinoamérica, un territorio pulsante, vivo, y que, desde la imagen en movimiento, busca alcanzar una especie de ritual de sanación, pulsión chamánica que invoca al latido intermitente de la fantasmagoría para curar sus heridas. Como desistfilm, revista online que promueve el cine experimental e independiente en la región desde Lima, Perú, esta muestra patentiza nuestra voluntad por aportar a una nueva cartografía de lo político, como forma, como entrelíneas, como entera creatividad, o como dijera Rancière, no en la denuncia, sino en el montaje, “por la distancia misma que guarda con relación a estas funciones, por el tipo de tiempo y de espacio que establece, por la manera en que divide ese tiempo y puebla ese espacio”, donde vivimos repensando cómo nos vemos y representamos. En tiempos de pandemia y de ecos de solidaridad, esta mirada en conjunto permite, de alguna manera, sanarnos.

What is it that resists in a resistance act? The eye, the gaze, the word, the framing, the materiality of the celluloid, the urgency of the digital? From a series of films, where layers of different calibers bloom over the confronted identity on the processes of decolonization, on the common beliefs that seem to be made out of iron and must be challenged; from the grief, from the amnesia-free memory, from the demand, from the screams and, in some cases, from parody and irony, these works are drawing a different political cartography, in times where statues are being taken down and conspiracy theories arise. To what or whom is this resistance for? We consider a fundamental element in this selection: to highlight the voices of the filmmakers and artists from different regions that, from their sensibilities, approach these diverse essences of the “Latin American”, a category in constant movement, tension between the new and the ancient, the pure and the tainted. What is it that makes us so equal, that makes us reflect once and again the same story? In a way, these films propose a way out, a defensive wall, a light to the conflict. Seeing as an act of resistance. Aesthetic relationship as the manifestation of an internal urgency which allows us to discover new truths, to situate ourselves in this cosmos. Many gazes in parallax over this big concept of Latin America, a living and pulsating territory that, from the moving image, tries to perform a healing ritual, a shamanic pulse which conjures the intermittent rhythm of phantasmagoria to heal its wounds. Like Desistfilm, the online magazine which promotes experimental and independent cinema from the region of Lima, Peru, this exhibition presents our will to contribute to a new cartography of the political, as a form, as ellipses, as a creative whole or, as Rancière said, not in the denounce, but in the montage, “by the same distance that keeps in relation to these functions, for the type of time and space that establishes, to the way this time is divided and populates this space”, where we live rethinking how we see and represent each other. In times of pandemic and of echoes of solidarity, this common gaze allows us, somehow, to heal.

Desistfilm, julho | julio | July – 2020
Mónica Delgado &
José Sarmiento Hinojosa

IMPÉRIO
EMPIRE
de Edouard Salier. França, 2005, 4′

Sinopse | Synopsis
A Pax Americana cuida da nossa tranquilidade, assegura nosso conforto, garante nossa prosperidade… Um cartão postal idílico do novo Império.
The Pax Americana takes care on our peace, ensures our comfort, guarantees our prosperity… An idyllic postcard of the new Empire.

Equipe | Crew
Direção, Roteiro, Montagem | Direction, Screenplay, Film Editing: Edouard Salier
Produção Executiva | Executive Production: Edouard Salier, Nicolas Schmerkin
Animação 3D | Animation 3D: Spawn
Design de Som | Sound Design: David Coutures
Música | Music: Doctor L Empresa
Produtora | Production Company: Autour de Minuit Productions

Contato | Contact
festivals@autourdeminuit.com

GREVE SELVAGEM (A GÊNESE)
GRÈVE SAUVAGE (LA GENÈSE)
de Chaab Mahmoud. França, 2009, 12’21

Sinopse | Synopsis
« Quanto mais eu lia o livro ‘Da greve selvagem à autogestão generalizada’ de Raoul Vaneigem, mais as imagens rolavam. Ao final do texto, disse a mim mesmo que aquilo que ele havia escrito em 1974 não perdera nada de seu realismo. A força das palavras. A impressão é de que é exatamente isso que está acontecendo hoje. Então, eu só pude encontrar Raoul e propor a ele de fazermos um filme.
» Chaab Mahmoud « The more I read Raoul Vaneigem’s ‘From Wildcat Strike to Total Self Management’, the more the images unfold. At the end of the text, I told myself that what he had written in 1974 had lost none of its realism. The power of words. The impression that this is exactly what is happening today. So I could only meet Raoul and offer him to make a film together. » Chaab Mahmoud

Equipe | Crew
Direção | Direction: Chaab Mahmoud
Assistente de Direção | Direction Assistant: Zakaria Mahmoud

Contato | Contact
zakar.mahmoud@yahoo.com

O DIABO
THE DEVIL
de Jean-Gabriel Périot. França, 2012, 7′

Sinopse | Synopsis
Você não sabe quem somos…
You don’t know who we are …

Equipe | Crew
Direção | Direction: Jean-Gabriel Périot
Som | Sound : Xavier Thibault
Música | Music: Boogers

Contato | Contact
festival_local@yahoo.fr

LIGHTING DANCE
de Cecilia Bengolea. Argentina, 2018, 6’

Sinopse | Synopsis
Lighting Dance investiga a influência de uma tempestade elétrica na imaginação corporal. Apresenta Craig Black Eagle, Oshane Overload-Skankaz e seus respectivos grupos, na companhia da realizadora, executando coreografias solo e em grupo enquanto chove forte. Conforme os dançarinos vão para a rua, seus movimentos remetem ao popular dancehall jamaicano, um estilo de dança altamente sexualizado, que Cecilia Bengolea vê como imbuído de poderes mágicos de cura.
Lightning Dance investigates the influence of a electric storm on bodily imagination. It features Craig Black Eagle, Oshane Overload-Skankaz and their respective teams, in company of the artist, perform solo and group dance routines while heavy rain falls. As the dancers take street, their movements refer to popular Jamaican dancehall, a highly sexualized dance style, which Cecilia Bengolea sees as infused with magical healing powers.

Equipe | Crew
Direção | Direction: Cecilia Bengolea

Contato | Contact
cecmar79@yahoo.com.ar

ONDE VOCÊ ESTÁ, TERESA VILLAVERDE?
OÙ EN ÊTES-VOUS, TERESA VILLAVERDE?
de Teresa Villaverde. França-Portugal, 2019, 17’

Sinopse | Synopsis
No Rio de Janeiro, moradores do bairro da Mangueira acompanham a transmissão de televisão em uma tela enquanto os jurados votam em cada escola de samba. Em 2019, a Mangueira levou para o Sambódromo um forte e ousado samba de resistência a respeito do que está acontecendo no Brasil neste momento. O filme testemunha a tensão na espera pelo placar final e a grande alegria de pessoas de todas as gerações quando a Mangueira vence e se torna campeã do Carnaval 2019.
In Rio de Janeiro, people from the Mangueira neighbourhood follow the television broadcast on a big screen as the juries vote on each samba school. In 2019, Mangueira took to the Sambadrome a strong, bold samba of resistance to what’s taking place in Brazil right now. The film witnesses the tension while waiting for the final score, and the great joy of people from every generation when Mangueira wins and becomes champion of the 2019 Carnival.

Equipe | Crew
Direção, Fotografia | Direction, Cinematography: Teresa Villaverde
Som | Sound: Vasco Pimentel, Hugo Leitão, Marcelo Tavares
Montagem | Film Editing: Clara Jost
Produção | Production: Teresa Villaverde | Alce Filmes, Sylvie Pras, Amélie Galli, Catherine Quiriet | Centre Pompidou – Département du Développement Culturel

Contato | Contact
dir@portugalfilm.org

O QUE HÁ EM TI (BRAZIL IS THEE HAITI IS (T)HERE)
de Carlos Adriano. Brasil, 2020, 16’29

Sinopse | Synopsis
Em 16 de março de 2020, em Brasília, um haitiano anônimo e desconhecido desafiou o chefe da nação: “Bolsonaro, acabou. Você não é presidente mais.” Este cinepoema contrapõe tal situação a duas operações militares da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti), comandada pelo Brasil, em 6 de julho de 2005 e 22 de dezembro de 2006, em Cité Soleil.
On March 16, 2020, in Brasília, an anonymous and unknown Haitian challenged the head of the nation: “Bolsonaro, it’s over. You are not president anymore.” This film poem counterpoints this situation with two military operations of Minustah (United Nations Stabilization Mission in Haiti), commanded by Brazil, on july 6, 2005, and december 22, 2006, in Cité Soleil.

Equipe | Crew
Direção, Fotografia, Montagem, Desenho de Som, Mixagem, Produção | Direction, Cinematography, Film Editing, Sound Design, Mixing, Production: Carlos Adriano
Música | Music: Caetano Veloso e Gilberto Gil

Contato | Contact
adriano.carlos.ca@gmail.com

ANTES DO COLAPSO DO MONT BLANC
AVANT L’EFFONDREMENT DU MONT BLANC
de Jacques Perconte. França, 2020, 16’

Sinopse | Synopsis
Montanhas estão caindo e não há nada que possamos fazer a respeito. E mesmo que tenhamos os meios necessários para escalá-las e superar aqueles picos inacessíveis nos quais muitos exploradores perderam suas vidas em busca do privilégio de superá-los, as montanhas continuarão a cair à medida que continuemos a escalá-las.
Mountains are falling, and there’s nothing we can do about it. And even if we have the means to climb them and overcome those inaccessible peaks in which many explorers have lost their lives in search of the privilege to overcome them, the mountains will continue to fall as we continue to climb them.

Equipe | Crew
Direção | Direction: Jacques Perconte

Contato | Contact
me@jacquesperconte.com

XOCHIPILLI
de Annalisa D. Quagliata. México, 2018, 1’23’’

Sinopse | Synopsis
Preservar o vestígio. Um olhar que rodeia a estátua de Xochipilli, o príncipe das flores. O olhar que observa e presta homenagem ao deus asteca da arte, da dança e da poesia. O olho do século XXI que faz dançar uma estátua originária da pré-colonização espanhola, que ilumina relevos, flores e algumas plantas psicoativas. A figura parece estar em transe, mirando ao céu, em comunicação com o divino. Preserving the vestige.
A look that surrounds the statue of Xochipilli, the prince of the flowers. The look that observes and pays homage to the Aztec god of the arts, the dancing and the poetry. The eye of the 21st century that makes a pre-spanish colonization statue dance, that brightens the terrain, the flowers, and some psychoactive plants. The figure seems to be in a trance; eyeing the sky, in communication with the divine.

Equipe | Crew
Direção | Direction: Annalisa D. Quagliata

A FONTE DE ÁGUA
LA FUENTE DE AGUA
de Irma Cabrera Abanto. Peru, 2019, 3’05’’

Sinopse | Synopsis
Água de Titicaca e do rio Chili, água como sangue da terra, como protagonista de mitos, lendas e lutas. Este filme é a reinterpretação de uma película emotiva de Super 8, feito de modo colaborativo, mostrando, de uma perspectiva diferente, um problema social em que a yakumama (água) é a protagonista.
The water from the Titicaca and the Chili river, water as the blood of the earth, as protagonist of myths, legends and struggles. This film is the reinterpretation of an emotional Super 8 picture made in a joint effort that shows, through a different perspective, a social problem where the yakumama (water) is the protagonist.

Equipe | Crew
Direção | Direction: Irma Cabrera Abanto

A DETERMINAÇÃO DO DEVIR
LA DETERMINACIÓN DEL DEVENIR
de Melissa Aller. Argentina, 2016, 4’

Sinopse | Synopsis
Filme baseado nos relatos de crianças sequestradas durante a última ditadura cívico-militar (1976-1983). Descansar o olhar em um rosto era uma tarefa impossível. O fulgor da lembrança engolia tudo. Movimentos dançantes, calculados, mas errados.
A film based on the reports of children appropriated during the last civil-military dictatorship (1976-1983). To rest the look on a face was an impossible task. The glow of the memory swallowed everything. Dancing movements, calculated, but wrong.

Equipe | Crew
Direção | Direction: Melissa Aller

ATALHOS
ATAJOS
de Daniela Delgado Vitteri. Equador, 2019, 18’29’’

Sinopse | Synopsis
Uma série de diálogos imaginários em territórios do Equador e do Peru. Um dos personagens afirma que, uma vez por ano, ele precisa fazer uma boneca em tamanho natural com a forma do presidente, dançar com ela e depois queimá-la na rua, após enchê-la de explosivos. Esse personagem é o que chamamos de um “bom caminhante”.
A series of imaginary dialogues in territories of Ecuador and Peru. One of the characters in these dialogues affirms that, once a year, he needs to make a doll in natural size with the shape of the president, dance with it and then burn it on the street, after filling it with explosives. This character is what we call a “good walker”.

Equipe | Crew
Direção | Direction: Daniela Delgado Vitteri

A HORA DECISIVA
LA HORA DECISIVA
de Azucena Losana. México-Argentina, 2020, 1’52’’

Sinopse | Synopsis
Em novembro de 2019, o novíssimo governo mexicano, que se autodenomina “A Quarta Transformação”, assume o comando das comemorações do 119º aniversário da Revolução e reassume o tom festivo e popular. Enquanto isso, na América do Sul, a nova onda de protestos e movimentos sociais traz violência, mas também um ar de otimismo… O que Zapata pensaria dessa primavera fugaz latino-americana?
In November 2019, the newest Mexican government that self proclaimed “The Fourth Transformation” takes charge of the commemorations of the 119th birthday of the Revolution and resumes the festive and popular tone of it. Meanwhile, in South America, the new wave of protests and social movements brings violence, but also an air of optimism… What would Zapata think of this fleeting Latin American spring?

Equipe | Crew
Direção | Direction: Azucena Lozana

VER A CIDADE EM CHAMAS
VER LA CIUDAD EN LLAMAS
de Ismael Amaro. Chile, 2018, 11’

Sinopse | Synopsis
Um imaginário visual do ruído em três capítulos: “Veja”, “A cidade” e “Em chamas”. Tudo o que se vê são arquivos patrimoniais pertencentes à Cinemateca da Universidade do Chile. Tudo o que se ouve corresponde a uma composição baseada em fragmentos do poema sonoro “Veo la ciudad em llamas”, cujo autor, Cristóbal Cornejo (1983-2015), a chamou de “pedaço de vida e de morte”.
A visual imaginary of the noise in three chapters: “Look”, “The City” and “In Flames”. Everything you see is the patrimonial archives belonging to the Film Institute of the University of Chile. Everything you hear corresponds to a composition based in fragments of the sound poem “Veo la ciudad en llamas”, whose author, Cristóbal Cornejo (1983-2015), has called it a “piece of life and death”.

Equipe | Crew
Direção | Direction: Ismael Amaro

SINAIS DE CONQUISTA: O LIENZO DE TLAXCALA
SEÑALES DE CONQUISTA: EL LIENZO DE TLAXCALA
de Jorge Bordello. México, 2019, 14’20’’

Sinopse | Synopsis
A tela tripartida ecoa um códice colonial Tlaxcalteca. Montagem sobre a militância política familiar; a aparição constante de Tlaxcala como um território de boas-vindas à invasão. Imagens que se movem a contrapelo das profecias indígenas que previam a chegada da Espanha; mas também com as promessas que precederam a assinatura do TLC e a historiografia OVNI, tão profundamente enraizada na idiossincrasia mexicana.
The screen broken in three echoes a colonial Tlaxcaltec codex. A montage over the political family militancy; the constant apparition of Tlaxcala as a welcoming territory to invasions. Images that move against the grain of the Indiginous prophecies that predicted the arrival of Spain; but also with the promises that preceded the signature of the TLC and the UFO historiography, so profoundly ingrained in Mexican idiosyncrasy.

Equipe | Crew
Direção | Direction: Jorge Bordello

PRATA OU CHUMBO
PLATA O PLOMO
de Natalia Granados. Colômbia, 2019, 4’26’’

Sinopse | Synopsis
Reggaeton e armas. Reggaeton e masculinidade tóxica. Natalia Granados explora a personificação do matador de aluguel nesta paródia, inspirada na figura do rapper malvado dos videoclipes. O sangue derramado na televisão não respinga, mas a maneira como a morte é relatada diariamente é a percepção da realidade dos consumidores. Medo + dinheiro = respeito.
Reggaeton and guns. Reggaeton and toxic masculinity. Natalia Granados explores the personification of the hitman in this parody, inspired by the figure of the mean rapper of the videoclips. The blood shed on TV doesn’t spatter, but the way death is reported daily is the perception of reality of the consumers. Fear + money = respect.

Equipe | Crew
Direção | Direction: Natalia Granados

O EXTERIOR
L’OUTREMER
de Florian Maricourt. França, 2019, 6’51’’

Sinopse | Synopsis
« O Exterior » é outro poema filmado em um celular. É diurno, litorâneo, avança nas pedras, em frente ao mar, machuca os olhos, é tudo o sol, tudo em ondas, tudo em areia.
« L’outremer » is another poem filmed on the phone. It is diurnal, coastal, it advances on the rocks, in front of the sea, it hurts the eyes, it is all the sun, all in waves, all in sand.

Equipe | Crew
Direção, Fotografia, Montagem, Desenho de Som, Produção | Direction, Cinematography, Film Editing, Sound Design, Production: Florian Maricourt
Som, Trilha Sonora Original | Sound, Original Soundtrack: Florian Maricourt, Gabriel Bristow

Contato | Contact
fmrt@protonmail.com

OI, BONITA
HELLO, BEAUTY
de Nikki Milan Houston. Estados Unidos, 2020, 6’05’’

Sinopse | Synopsis
Voltei para a cidade que achei que conhecia – Los Angeles. Meu único salvador acabou sendo um gravador de áudio. Clique. Comece. Brilho de luz vermelha. Usando pontas curtas de 16mm, saí com meu DP enquanto as ruas estavam vazias e, durante cinco dias, tentei capturar a beleza solitária. Por sua vez, eu me encontrei. Aqui está minha carta de amor para o lugar que aparentemente eu não consigo abalar.
I came back to the city I thought I knew — Los Angeles. My only savior became a tape recorder. Click. Start. Red light glow. Using short ends of 16mm, I went out with my DP while the streets were empty, and tried to capture the lonely beauty in five days time. In turn, I found myself. Here is my love letter to the place I can’t seem to shake.

Equipe | Crew
Direção, Som, Montagem, Design de Som, Produção | Direction, Sound, Film Editing, Sound Design, Production: Nikki Milan Houston
Fotografia | Cinematography: Andrea Calvetti

Contato | Contact
nikkimilanhouston@gmail.com

RECOMPENSA
BOUNTY
de Juana Robles. Suíça / Irlanda, 2020, 8’54’’

Sinopse | Synopsis
Encontrando um velho amigo em Berne, Suíça, para uma caça às luzes e alegrias das noites do final do verão há muito passadas.
Catching up with an old friend in Berne, Switzerland for a hunt on the lights and enjoyments of long past late summer nights.

Equipe | Crew
Realizado e produzido por | Directed and produced by Juana Robles.

Contato | Contact
jrobles@gmx.net