__________________ DOBRA 2021

Com que armas podemos vencer o desalento? Luta árdua e incerta, nesse contexto de neofascismo, pandemia e aquecimento global. Sobre a potência vital da arte, muito já tivemos oportunidade de ler e escrever. Hoje fica a certeza de que nesse combate pelo encanto de viver, precisamos ter pés que tocam a terra e olhos que veem o céu, esse mesmo céu cuja pintura móvel feita de luzes é ofuscada pelas telas de nossos inteligentes e portáteis aparelhos de comunicação. Se o século XX parece ter finalmente terminado com a pandemia, a odisseia do século XXI ainda está por se construir. Muitas maravilhas antigas sobreviverão como meras curiosidades pouco atuantes; o cinema, no entanto, segue crescendo em práticas cada vez mais novas e necessárias.

Nessa presença maciça da linguagem audiovisual no mundo contemporâneo, o cinema experimental cresce em formas e luzes, num contágio ainda mais pandêmico, que nos conecta em vez de nos separar. Há sete anos, o DOBRA – Festival Internacional de Cinema Experimental vem sendo autor e testemunha de uma história na qual a linguagem experimental do cinema se tornou uma ferramenta fundamental de atuação do artista na crítica e na transformação do mundo.

No ano de 2021, o festival DOBRA mantém o seu fôlego trazendo ao público uma programação em que as vozes de artistas dos mais variados locais do planeta nos brindam com filmes que remexem a ferida contemporânea, praticam o exercício crítico e propõem diferentes formas de compreender e viver os desafios do mundo atual. Partindo dos mais de mil filmes inscritos na convocatória aberta pelo festival, a curadoria composta por Cristiana Miranda, Lucas Murari e Luiz Garcia criou oito programas, nos quais tramas, corpos e linhas de fuga trazem um cinema de vanguarda, que não teme estar à frente na construção de um outro mundo. Para celebrar a força dos encontros e dos laços de amizade, temos a honra de receber a participação de Steve Polta como curador convidado, trazendo um programa que nos brinda com filmes exibidos em edições recentes do célebre festival “CROSSROADS”, que há mais de dez anos ocupa a cinemateca do MoMa/SF com uma vibrante programação de cinema experimental.

Permanecemos movidos pela consciência de uma urgência, pelo desejo de recuperar a vida como um ato de produção de beleza. Cada vez mais convencidos da potência transformadora do cinema experimental, convidamos todos para participarem de mais uma edição do DOBRA, para que possamos juntos fazer da virtualidade das transmissões online um encontro de pensamentos e emoções, um ato compartilhado de criação. Que o cinema nos contagie em luminosas experimentações.

Abraços redobrados,

_ Cristiana Miranda

With which weapons can we overcome dismay? Arduous and uncertain struggle, in this Neo-fascist, pandemic and global warming context. About art’s vital power, we had many opportunities to read and write. Today, it rests the certainty that in this battle for the enchantment of living, we need to have feet that touch the land and eyes that see the sky, this same sky whose movable painting made of lights is overshadowed by the screens of our smart and portable communication equipment. If the 20th century seems to have finally ended with the pandemic, the 21th century’s odyssey is yet to be build. Many ancient wonders will survive as mere little active curiosities, cinema, however, continues to grow in practices more and more new and necessary.

In the massive presence of audiovisual language in the contemporary world, experimental film grows in shapes and lights, in an even more pandemic contagion that connects us, instead of separating us. Seven years ago, DOBRA – International Experimental Film Festival has been the author and the witness of a history where the experimental language of film has become a fundamental tool of the artist’s action in critics and in the world’s transformation.

In 2021, DOBRA maintains its breath bringing to the public a screening program where the artists’ voices from various locations of the planet toast us with films that stir the contemporary sore, practice critical exercise and propose different forms of comprehending and living the defies of the current world. From the more than a thousand film submissions on the open call made by the festival, the curators, Cristiana Miranda, Lucas Murari and Luiz Garcia, created 8 screenings where wefts, bodies and lines of flight bring a vanguard cinema that doesn’t fear being ahead in the construction of another world. To celebrate the force of encounters and bonds of friendship, we have the honor to receive the participation of Steve Polta as invited curator, bringing a screening that toasts us with films exhibited in recent editions of the renowned “CROSSROADS” Festival, which for over ten years occupies the MoMa/SF’s Cinematheque, with a vibrant experimental film screening program.

We are still moved by the consciousness of urgency, by the desire of retrieve life as an act of producing beauty. More and more convinced of the transforming power of experimental film, we invite all to one more edition of DOBRA, so together we can make of the virtuality of online transmissions an encounter of thinking and emotions, a shared act of creation. May cinema infect us with luminous experimentations.

Most kind regards,

_ Cristiana Miranda