o festival

the festival

A realização do sonho de criar um festival especificamente voltado para o cinema experimental na cidade do Rio de Janeiro completa seis anos nesse inesquecível 2020. Ao longo de sua ainda breve história, o Festival DOBRA presenciou golpes de Estado, incêndios em Museus Nacionais, entre outras catástrofes políticas e culturais. Se o momento atual é de gigantescas incertezas, permanecemos convictos em relação à nossa proposta: uma dobra será sempre um gesto de mudança, um ato de passagem que possibilita infinitas transformações. Dobrando as superfícies, passamos do dentro ao fora e talvez uma dobra seja uma possível saída desse mundo onde já não conseguimos mais respirar.

Sabemos que o cinema experimental está em permanente movimento e transformação e o quanto são múltiplas suas formas e proposições. Com uma convocatória aberta em plena pandemia, recebemos mais de mil filmes, provenientes de cinco continentes, e pudemos testemunhar o fôlego dos artistas em manter viva sua virtuosidade, em um mundo que morre por asfixia. Do panorama proporcionado pela convocatória, a curadoria formada por Lucas Murari, Luiz Garcia e Cristiana Miranda identificou, além de temas recorrentes em edições anteriores, como memória, pesquisa de linguagem, ecologia e política, dois novos grupos de filmes que dialogam com a ficção científica e a estética doméstica. Nos pareceu bastante significativo nesse momento, em que estamos mergulhados nos mais apocalípticos desastres, que os artistas voltem sua imaginação para outros tempos e outras intimidades.

Para reforçar os laços de solidariedade internacional, o DOBRA traz em 2020 dois programas convidados que nos brindam com curadorias ampliadoras da cartografia do cinema experimental: os criadores da revista online Desistfilm, Mónica Delgado e José Sarmiento, e Nicole Brenez, cujo pensamento vem nos iluminando desde a primeira edição do Festival. Dos três mil metros de magia da Cordilheira dos Andes e da França, os curadores convidados trazem olhares para um conceito de mundo ampliado, em constante tensão, no qual os artistas buscam fazer do cinema uma espécie de ritual de cura para a ganância da sociedade contemporânea.

Queremos outro mundo e afirmamos que um cinema experimental revolucionário, livre das convenções industriais e prolixo de invenções formais, pode nos ajudar a construí-lo. Permaneceremos dobrando as margens e atravessando os limites. Afirmamos uma vez mais que os filmes importam, os encontros importam e o cinema é uma potência que imagina e constrói incessantes formas de viver.

Abraços redobrados.
Saúde e paz.

Cristiana Miranda

The realization of the dream of creating a festival turned specifically towards experimental cinema in the city of Rio de Janeiro is completing 6 years in this unforgettable 2020. Throughout its still brief history, Festival DOBRA has witnessed coups, burnings of National Museums, among other political and cultural catastrophes. If the current moment is very uncertain, we remain sure about our proposal, a fold will always be a gesture of change, an act of passage that makes possible infinite transformations. Folding the surface we go from the inside to the outside and maybe a fold is a possible exit in a world we can’t breathe anymore.

We know that experimental cinema is in permanent move and transformation and how multiple are its shapes and propositions. With an open call in the middle of the pandemic, we received more than a thousand films from five continents and we could witness the artist’s vigor in keeping alive its virtuosity, in a world that dies by asphyxiation. From the overview provided by the open call, the curatorship composed by Lucas Murari, Luiz Garcia and Cristina Miranda has identified, beyond recurring themes in former editions, such as memory, the language research, ecology and politics, two new groups of films that dialogue with science fiction and domestic aesthetics. It seemed to us very significant in this present moment where we are emerged in the most apocalyptic disasters, that the artists turn their imagination to other times and other affinities.

To reinforce the international solidarity bonds, DOBRA brings in 2020 two guest programs to give us a curatorship that amplifies the cartography of experimental cinema. The creators of the online magazine Desistfilm, Mónica Delgado and José Sarmiento, and Nicole Brenez, whose way of thinking brightens us since the very first edition of the Festival. From the 3 thousand meters of magic from the Andes and France, the guest curators bring new looks to a concept of an amplified world, in constant stress, where the artists try to make cinema as some kind of healing ritual for the greed of contemporary society.

We want another world and we affirm a revolutionary experimental cinema, free from industrial conventions and abundant in formal inventions that can help us build it. We will remain bending the margins and crossing the limits. We affirm once more that films matter, the meetings matter and cinema is a potency that imagines and builds incessant forms of living.

Folding embraces,
Health and peace.

Cristiana Miranda

O EXTERIOR
L’OUTREMER
de Florian Maricourt. França, 2019, 6’51’’

Sinopse | Synopsis
« O Exterior » é outro poema filmado em um celular. É diurno, litorâneo, avança nas pedras, em frente ao mar, machuca os olhos, é tudo o sol, tudo em ondas, tudo em areia.
« L’outremer » is another poem filmed on the phone. It is diurnal, coastal, it advances on the rocks, in front of the sea, it hurts the eyes, it is all the sun, all in waves, all in sand.

Equipe | Crew
Direção, Fotografia, Montagem, Desenho de Som, Produção | Direction, Cinematography, Film Editing, Sound Design, Production: Florian Maricourt
Som, Trilha Sonora Original | Sound, Original Soundtrack: Florian Maricourt, Gabriel Bristow

Contato | Contact
fmrt@protonmail.com

OI, BONITA
HELLO, BEAUTY
de Nikki Milan Houston. Estados Unidos, 2020, 6’05’’

Sinopse | Synopsis
Voltei para a cidade que achei que conhecia – Los Angeles. Meu único salvador acabou sendo um gravador de áudio. Clique. Comece. Brilho de luz vermelha. Usando pontas curtas de 16mm, saí com meu DP enquanto as ruas estavam vazias e, durante cinco dias, tentei capturar a beleza solitária. Por sua vez, eu me encontrei. Aqui está minha carta de amor para o lugar que aparentemente eu não consigo abalar.
I came back to the city I thought I knew — Los Angeles. My only savior became a tape recorder. Click. Start. Red light glow. Using short ends of 16mm, I went out with my DP while the streets were empty, and tried to capture the lonely beauty in five days time. In turn, I found myself. Here is my love letter to the place I can’t seem to shake.

Equipe | Crew
Direção, Som, Montagem, Design de Som, Produção | Direction, Sound, Film Editing, Sound Design, Production: Nikki Milan Houston
Fotografia | Cinematography: Andrea Calvetti

Contato | Contact
nikkimilanhouston@gmail.com

RECOMPENSA
BOUNTY
de Juana Robles. Suíça / Irlanda, 2020, 8’54’’

Sinopse | Synopsis
Encontrando um velho amigo em Berne, Suíça, para uma caça às luzes e alegrias das noites do final do verão há muito passadas.
Catching up with an old friend in Berne, Switzerland for a hunt on the lights and enjoyments of long past late summer nights.

Equipe | Crew
Realizado e produzido por | Directed and produced by Juana Robles.

Contato | Contact
jrobles@gmx.net